domingo, 3 de dezembro de 2006

A bandeira nacional

De repente vi… era impossível não ver! Uma bandeira portuguesa no cimo do Parque Eduardo VII! …flutuante, ao sabor do vento, olhando para o Tejo, ufana, tentando com toda a força ignorar os vendedores ambulantes de toalhas da Madeira e olhar apenas, discretamente, para a escultura fálica daquele nosso escultor conhecido… é uma bandeira enorme, ontem não estava lá, a data não a justifica, mas talvez a justifique uma qualquer consciência mais pesada de um qualquer membro da Câmara… afinal estamos no verão, Portugal ainda é - quase que só é – um país turístico, a seca vai alta, os turistas andam por aí, e os portugueses não são muito, ou não são nada, de mostrar o seu espírito patriótico… a este respeito o campeonato de futebol acendeu uma luzinha ténue pela mão de um brasileiro – irmão! – mas já lá vai…
O quarteirão mais perto é do El Corte Inglês… será que alguém quis, simplesmente, afirmar que “aqui é Portugal”!? será que é uma data assinalável e que eu não sei? Será que amanhã já não está lá?
No dia seguinte a bandeira ainda lá estava… tem lá estado todos estes dias… ou se esqueceram de a tirar ou a motivação de a fazer nascer, ali, foi muito forte… nos dias seguintes, a minha curiosidade era a de ver se a bandeira ainda lá estava… tem estado… tem estado de tal maneira, que até já me esqueci que ela lá está… de repente penso… não vi a bandeira… mas à noite, quando regresso, confirmo que lá continua, não sei até quando e com que propósito… eu penso que ela de algum modo está de alerta, pronta a avisar-nos… de qualquer coisa… um dia vamos saber o quê!

2005

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