domingo, 3 de dezembro de 2006

Tempo de chorar

Há tempos para tudo: ser feliz, ou não, ter saúde, ou não, dar rizadas, estar sério, pensar, deixar correr o pensamento imaginando coisas boas, inventar o que gostaríamos de possuir, olhar simplesmente…muitas vezes, não querendo ver, outras, não vendo o que está à nossa frente, talvez por acharmos que é inatingível, talvez porque criamos as nossas próprias barreiras, pior que tudo, autopreconceitoamo-nos (esta foi inventada…)

Hoje quando cheguei a tua casa achei que te ia abraçar e que iria chorar, por ti, por mim. Não deu. Cada vez mais os meus olhos ficam marejados, escondendo as águas que vão dentro deles e aumentando o caudal que vai dentro de mim. Aprendi há muitos anos a chorar silenciosamente.

Como te disse tentei ver de outro modo e desiludi-me. Desiludi-me tanto com o que presenciei que, não te disse, mas foi o que pensei, prefiro toda a vida ficar a olhar para quem tu sabes e acalentar mansamente os meus sentimentos, ainda que sem contrapartida, do que tentar com outros o que quer que seja.

O meu tempo de chorar ainda não terminou, continuo “lost in translation”, com menos esperança do que tu (acho). Por favor, enquanto tiveres alguma esperança não desistas.

2004

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