Não há uma canção brasileira que diga “debaixo do teu nariz…” o que se calhar até dava jeito, pois à boa maneira brasileira teria graça, ritmo, cor… justificaria qualquer coisa…
De facto não percebo porque é que se dizem coisas como “…debaixo (ou à frente) do teu nariz…” para evidenciar aquilo que o outro não viu ou não vê!
É que debaixo do nariz está a boca e tudo o resto que não está acima do nariz. Bom, mas esta constatação também não nos deixa mais felizes, porque a boca e o resto são provavelmente tão incapazes quanto o nariz, de verem o que quer que seja…
Seria mais natural utilizar-se o velho “…à frente dos olhos” para designar o que se olha e não se vê e deixarmos o nariz para a sua função (tripla) de “cheirar/respirar/falar”… isto é que é importância… triplo salto para o nariz (3 a 0, acha bem?), enquanto que os olhos ficam por uma mera espargata (se pode ser outra coisa qualquer? claro! depende dos olhos, dos donos dos olhos, do que vêem os olhos, para onde olham os olhos, do que são capazes os olhos… daí que a espargata seja perfeitamente inócua e salvadora neste caso).
A respeito do nariz também se dizem outras coisas, estas com mais propriedade: “narizinho empinado” para designar quem anda literalmente de nariz no ar (pela importância, ou porque anda a ver (cheirar) com o nariz, tipo “Sherlock Holmes”). Não sei como se que diz quem anda a cheirar de nariz no chão ou em cima de qq coisa, será “narizinho cocaínado”?...Também já ouvi dizer que os homens (lá está a velha discriminação…) que têm nariz grande são pessoas de grandes capacidades… tipo “General” numa escala “tropista” (não existe o termo? e daí? tem que se inventar alguma coisa…).
A Gioconda (Mona para os íntimos) também tinha nariz (pois é… Ah! Ah! ), no entanto, não ficou conhecida pelo nariz (… nem pelos olhos) mas pelo “sorriso”. Bem, a adjectivação que o sorriso dela já teve deve dar para escrever “resmas” de “quotations”. No caso desta Senhora, “debaixo do nariz” está o “sorriso enigmático” dizem uns… eu, acho que ela está com “ar de gozo“ (devia estar a pregar alguma ao Giocondo). E, aquele “ar de gozo”, só advém da combinação do sorriso dela com o olhar dela. Já reparou? É que o “sorriso” não vive sozinho! O sorriso precisa dos olhos, senão deixa de ser sorriso e passa a ser vagamente um esgar. Do mesmo modo se os "olhos" não seguirem o "sorriso" ... E quem é que se atravessa no caminho dos dois? Pois… o nariz! Será que afinal o nariz é uma ponte? Um enfeite, quando é bonito, e, uma chatice, quando nem por isso? Isto está a ficar difícil…
Convido-o a continuar… quer ajuda? Que tal ir até ao Egipto? O nariz de Cleópatra (era dos empinados…)? Obélix preso ao nariz da esfinge…
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